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Ter mais candidatas aumenta chance de mulher ocupar vaga em conselho



Mulheres no Conselho

Com a exceção de países europeus onde programas de incentivo foram adotados, a evolução do número de mulheres nos conselhos de administração de grandes corporações tem sido lenta. Um novo estudo de professores americanos e britânicos ajuda a entender como essa estagnação se perpetua, e sugere uma solução para aumentar a presença feminina nos "board" – ter mais mulheres entre os candidatos para a vaga.

A pesquisa, publicada na revista acadêmica “ILR Review”, identificou que quando uma mulher deixa o conselho, ela costuma ser substituída por outra executiva. Da mesma forma, quando um conselheiro deixa sua cadeira em um colegiado, a tendência é que outro homem ocupe seu lugar. O estudo analisou dados de 3 mil empresas americanas de capital aberto entre 2002 e 2011.

O resultado dessa prática, segundo os autores, é que as empresas atentam para a diversidade de gênero apenas na hora de substituir conselheiras, e não como motivo para mudar a composição do conselho como um todo. “A última coisa que queremos é contratar um substituto que perturbe o equilíbrio do conselho. Então o que fazemos é selecionar pessoas que se parecem com aquela que saiu”, explica Charles O’Reilly, professor da Stanford Graduate School of Business e um dos autores da pesquisa.

Os pesquisadores também testaram intervenções para reverter a tendência de sempre substituir conselheiros por profissionais do mesmo gênero. Neles, participantes tiveram que selecionar um novo membro para um conselho de administração. Em um dos testes, eles foram lembrados pelos pesquisadores que a diversidade de perspectivas pode enriquecer discussões e decisões. Nesse caso, embora os participantes em geral não citassem o gênero como critério na escolha, as decisões continuaram a refletir tendência de substituir homens por homens e mulheres por mulheres.  

No segundo experimento, no entanto, os pesquisadores aumentaram a quantidade de mulheres entre os candidatos disponíveis, contabilizando 33% dos candidatos em um dos estudos, e 67% em outro. Nos dois casos, o número de conselheiras selecionadas pelos participantes aumentou. “A única coisa que parece garantir que mais mulheres serão selecionadas como membros de conselhos é aumentar o número de mulheres na lista de candidatos”, diz O’Reilly.

Mulheres ocupam apenas 6% das cadeiras de conselhos de administração de empresas listadas no Novo Mercado, da BM&F Bovespa, e cerca de 20% das posições das empresas que fazem parte da S&P 500, nos EUA. Segundo um levantamento da consultoria de recrutamento Egon Zehnder, o aumento na participação de executivas em conselhos entre 2012 e 2016 foi de 2% nas Américas, 2% na Ásia e 1% no Leste Europeu. Já na Europa Ocidental, onde diversos países adotaram incentivos como cotas, a presença feminina cresceu 11%.

A decisão de escolher um novo conselheiro, segundo o professor, se dá normalmente sem a ajuda de ferramentas analíticas ou processos de seleção formais, mas como resultado de os presidentes de conselhos e CEOs “seguirem a intuição”. No Brasil, apesar do surgimento de cursos e programas voltados para a formação de conselheiros, a escolha dos nomes para o colegiado ainda é feita primordialmente por indicação.

Por Letícia Arcoverde

Fonte: Valor Econômico

Junho/2017

 

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